Nas últimas semanas espalhou-se um vídeo de atores da Globo contra a construção da usina de Belo Monte. Até aí, nenhuma novidade. Nunca ouvi ninguém se posicionar a favor. Eles apresentam números, fazem questionamentos e por final, pedem que o público assine uma petição contra a construção. Tudo num teatrinho engraçado e bacana.
A causa que foi abraçada por muito, também foi criticada por outros. Em parte por ser uma iniciativa de atores da tão odiada Globo, em partes por alegarem ser tudo mentira. Textos, como esse do site Brasil 24/7, contrapõem todos os dados informados no vídeo. Bem, eles negam, mas também não provam nada. Nem no vídeo, nem no texto eu encontrei algum link, imagem, ou textos antigos no quais eu poderia verificar qual a verdade da história. A questão é mesmo discutida desde de 1970? Mas discutida entre quem? Falar que produz 33% de sua capacidade, quando, na verdade, produzirá 40% não me parece tãaao diferente assim... Mas tudo é uma questão de lado. Fica fácil criticar e acabar fazendo o mesmo: falando, falando, falando... e só!
Ouvi gente defendendo com dentes e unhas a hidrelétrica. Argumentos não faltaram. Até concordo com quem diz que energia eólica ainda é utopia. Bem verdade, afinal também se precisa de um espaço gigantesco pra isso e, na minha humilde opinião, ainda não vimos isso funcionar na prática, por exemplo: uma grande cidade inteira abastecida assim. Mas houve quem dissesse que isso de energia solar é conversa porque durante a noite, que é quando mais se precisa de energia, não tem sol. 'O.o jesusmariajosé De onde saiu um ser desse? Minha gente, energia solar é armazenável. Por um período curto de tempo, mas é. E no outro dia, acredite, o sol vai estar lá. Existem casas sustentáveis - que saem bem mais caras, é verdade, que não utilizam energia elétrica pra nada. É, acho que não dá pra sustentar um país inteiro assim, mas acredito que substituiria Belo Monte lindamente. Mas isso é só uma opinião de quem não fez quaisquer pesquisa sobre o assunto.
O que o mundo precisa mesmo é se decidir. Porque a cada dia existe um novo motivo pra se gastar mais energia. É gente com mais computador, celular, aparelhos e afins para conectar à energia. E de preferência tudoaomesmotempo! Se o mundo não frear, não entender que dar um passo pra trás é dar três pra frente, a gente vai ter que adaptar o mundo às nossas necessidades. E aí vai ter que desmatar tudo mesmo. Seja pra construir hidroelétrica, pra fazer pasto, pra plantar... É preciso entender que é a gente que tem que se adaptar, estragando (mais) o mínimo possível, ao ambiente. Pode parecer impossível, pode parecer retrocedimento bizarro, pode parecer utopia, mas minha vó me dizia que mudança é assim mesmo: a gente sofre, apanha e rebola pra se acostumar. Mas depois vê que não podia ser diferente.
domingo, 20 de novembro de 2011
sábado, 4 de junho de 2011
Numa continuidade do dia de ontem...
Como protesto ao ato bárbaro e irresponsável do BME no dia de ontem, os estudantes se organizaram para sair em passeata hoje de novo, às 17h, em frente ao Teatro Universitário da Ufes. Hoje eu resolvi ir às ruas. Morrendo de medo, receosa de dar confusão e eu não conseguir me safar, de sobrar bala de borracha pra mim, de dar cadeia - mesmo que por algumas horas, mas fui. Eu, sempre tão apolítica, me senti tão revoltada e ofendida como cidadã com os abusos de ontem e com o apoio declarado do Governador Renato Casagrande à situação, que resolvi que o meu medo não iria reprimir o meu sentimento de revolta. A Alessandra, sempre fiel escudeira nessa vida, me acompanhou. O combinado era: a coisa ficou preta a gente foge! Cada um sabe dos seus limites...
Chegando à Ufes encontramos pessoas queridas e uma multidão. Mais de 5 mil pessoas convencidas a fazer um protesto calmo, pacífico e sem transtornos para não perdermos a razão. Mas é difícil controlar a multidão. Quando o repórter d' A Gazeta tentava gravar um vt no local, ouviu-se um oníssono: AHÁ UHÚ, GAZETA MENTIROSA! Não teve uma pessoa que não gritou a frase de protesto. Foi tão intenso, que a equipe foi obrigada (obrigada, mesmo, no sentido de coagida) a se retirar do local. Infelizmente isso repercutirá negativamente e a quem olhava a distância, parecia insano. O protesto não visava agredir, ou ofender o jornalista, mas sim a rede de comunicação para qual ele trabalha. A reportagem que foi publicada no jornal A Gazeta na manhã de hoje relatava uma balburdia juvenil sem fundamento e que olhava para o próprio umbigo, causando apenas transtornos à população. Era visível a tentativa de jogar (mais) a população contra o protesto. O movimento não precisa de cobertura assim! O velho "se não ajuda, não atrapalha!". E sim, Voltaire disse que mesmo que não concorde com o que dizes, lutarei até a morte para defender o teu direito de dizê-lo. Que dissesse, mas não ali, na nossa cara e usando nossa imagem de fundo. Emissoras, como a TV Vitória - tão criticada pelos capixabas como um jornalismo despreparado e sensacionalista, que fizeram uma cobertura clara e o mais imparcial possível (mostrando pedrada de estudante, mas mostrando calavaria da PM), teve ajuda e apoio dos manifestantes para realizar seu trabalho. O jornalismo deveria se lembrar que não basta satisfazer o patrão.
Saimos de lá em direção à Terceira Ponte. Tomamos as duas pistas da Fernando Ferrari por uns dez minutos, apenas pra mostrar que o que acontecia. Liberamos uma via e seguimos gritando. "Eu não acho, mas Casagrande acha que o povo precisa de bala de borracha" foi a primeira de muitas palavras de ordem. Os cartazes também protagonizaram bastante na passeata. Quando estávamos lá longe, pensando em subir a Ponte da Passagem, resolvi olhar pra frente e mal pude assimilar o que via: era um mar de gente! E ainda havia muito mais atrás de nós. Os que olhavam da calçada, dos prédios e carros foram convidados a seu unir ao movimento: VEM! VEM PRA LUTA, VEM. CONTRA O AUMENTO! E muitos foram aderindo a causa. Aos que preferiram não, avisávamos: VOCÊ QUE TÁ PARADO TAMBÉM É ROUBADO! Ônibus parado em ponto: PULA ROLETA!! PULA ROLETA!! E muitos pularam.
A Terceira Ponte parecia não chegar nunca mais, eu juro! Eu e Alê, duas sedentárias convictas, nos arrastamos ao final do protesto. Nosso amigo Felipe, que foi caminhando com a gente - vai que desse merda? rs - era só o pique! Quando chegamos (eu, Alê e Felipe) lá as cancelas já estavam abertas. Uns dizem que foi a Rodosol, a empresa que cobra o pedágio, se adiantando aos manifestantes, outros que foram os manifestantes. Dane-se! Estavam abertas e pronto! Fizemos filas para deixar os carros passar. Eu, que já estava boquiaberta com o fato de estudantes, nunca levados a sério pela sociedade, conseguirem calar a grande mídia, vi uma das cenas mais lindas: 5 mil pessoas tomando a Praça do Pedágio e cantando o Hino Nacional. Essas mesmas 5 mil pessoas liberaram a passagem gratuita de inúmeros veículos pela Terceira Ponte. Aposto que pelo menos um motorista daqueles ontem reclamou do caos no trânsito e crucificou a manifestação. PODE PASSAR, QUE HOJE É DE GRAÇA!! O CASAGRANDE PAGA! Gritei até ficar rouca.
O saldo foi positivo. Valeu a pena a caminhada infinita pra ver cada cena que vi hoje. Claro que tinha gente ali mais perdida que cego em tiroteio, gente que achou que era festa, gente desnecessária. Mas manifestação não é festa particular que se escolhe convidados. Ridículo gente manifestanto e tomando cerveja ou fumando maconha. Mas dentre os 5 mil, esses eram insignificantes e não se pode descaracterizar a luta por tal. Um manifesto pacífico, como vimos hoje é direito de todo e qualquer cidadão. Não importa sobre o quê se manifesta, ou se é contra ou a favor de alguma causa. É constitucional.
E eu vou poder dizer, bem piegas, bem clichê e me submetendo ao julgamento alheio (olha lá, a alienada manifestando!) que eu vi o desrespeito humano e não me acomodei! FOI LINDO, VITÓRIA!
As fotos foram feitas pelo estudante de jornalismo da Ufes Yuri Barichivich - Facebook
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quinta-feira, 2 de junho de 2011
Era Só Mais Um Protesto...
Há pouco tempo eu comentei aqui o fato de presenciar a História acontecer. Hoje venho falar do meu medo de ver a História acontecer... Um protesto de estudantes reivindicando os preços abusivos das passagens de ônibus na Grande Vitória acabou em pancadaria, prisões, agressões e notícia em cadeia nacional.
O protesto começou na manhã de hoje fechando uma avenida no Centro da cidade. Bem radical, verdade, atrapalhando a rotina de várias pessoas que precisavam circular pelo local. Mas a gente sabe que no nosso Brasil se não incomodar, a situação acomoda. Gente que reclamou de andar a pé, de ficar parado no trânsito dentro de ônibus, não vai ao menos se lembrar disso depois se o preço da passagem abaixar. A intenção era chamar, à força, as autoridades para uma rodada de negociações. As autoridades, representada pelo vice governador do Estado, Givaldo Vieira, do PT, enviaram o Batalhão de Missões Especiais - BME para reprimir a manifestação, que foi chamada de baderna por muita gente. Bala de borracha, spray de pimenta e bombas de efeito moral foram arremessadas nos manifestantes - e não em diração à. A intenção era clara. Cães e armas eram apontados com orgulho pelos policias, que dias após invadirem Aracruz e desalojarem inúmeras famílias e matarem uma senhora, pareciam estar prontos pra outra.
Transeuntes foram atingidos, manifestantes agredidos e por fim a multidão se dispersou. Mas ideia era continuar na Avenida Fernando Ferrari, em frente a Universidade Federal. Fechada a pista, não demorou muito a polícia já estava a postos. Os estudantes, mais uma vez agredidos - e muitos presos, tentaram refúgio dentro da Ufes, que por ser um lugar de responsabilidade Federal, não permite entrada e ação da Polícia Militar. Mas esse pequeno "detalhe" não segurou os policiais de, pelo lado de fora da Ufes, jogarem bombas e atirarem para dentro da Universidade. O reitor em exercício, Reinaldo Cantoduccate, preocupado com a segurança no local - no Teatro Universitária havia inúmeras crianças que participavam de um evento - tentou diálogo. Levou uma bala de borracha na bunda.
O protesto seguiu para Terceira Ponte e os manifestantes tiveram a companhia agradável da ROTAN - Rondas Ostensivas Tático Motorizadas, que não tinha morro pra invadir e resolveu cercar a Praia do Canto, por onde o protesto também passou - e foi aplaudido por moradores. A cavalaria recebeu alguns protestantes perto casa do Governador, Renato Casagrande, que achou que ficar em Brasília era mesmo uma boa opção.
Vinte sete pessoas foram presas: estudantes e até mesmo um jornalista (Henrique Alves, jornalista do Século Diário). Inúmeros foram feridos, inclusive jornalista d' A Tribuna. A cobertura televisiva foi previsível e até mesmo desnecessária, já que na internet post's, fotos, vídeos e depoimentos ofereciam um material vasto de informação sobre a barbarie.
Autoridade nenhuma se manifestou sobre o acontecido. Qualquer notícia vinda do lado de lá, foi da assessora do Governador, Rita Paterlini, que pela sua página no twitter: https://twitter.com/ritapaterlini, ironizou a manifestação. Mas como assessor é ponte, não é fonte ( Salve, salve Martinuzzo!), a gente espera seu assessorado cair se manifestar.
Muita coisa se viu, ouviu e leu nesse dia, mas de todas, a que mais me chamou a atenção foi a declaração do professor de filosofia Maurício Abdalla:
"O vice-governador Givaldo Vieira foi meu amigo, militante e estava conosco quando paramos a cidade com mais de 10 mil pessoas contra o aumento das passagens em 1988. Hoje a PM, sob seu comando, agrediu violentamente uma manifestação igual, ferindo estudantes. Tenho orgulho de dizer que minha filha estava lá. E o meu ex-amigo, agora manda a polícia atacar minha filha que, graças a Deus, seguiu os meus passos e não o dele. Enquanto ele não se retratar e punir o comando da PM, estará na lista de meus inimigos."
Tempos difíceis, minha gente. Tempos difíceis... E VIVA A DITADURA, ops!! DEMOCRACIA!
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domingo, 8 de maio de 2011
New York #2
Acordar, tomar café da manhã e partir pra Estátua da Liberdade. =) Tá, que o dia estava frio - bem frio, na verdade, mas o sol dava as caras aos poucos, ainda que o frio cortasse. Pegar o metrô, fazer baldiação (estava ficando mega craque nisso já! rs) e finalmente chegar na Estátua. A fila estava enooorme!!! 'O.o Tanto pra comprar, quanto pra entrar no barco. Fácil, fácil 3 horas de espera. Juro, juradinho! rs Nesse tempo deu tempo pra fazer vídeo com esquilo, bater muitas fotos, comer cachorro quente americano (pausa nesse ponto! O que diabos é isso que eles chamam de cachorro quente?? Que diaboooos é isso?! Coisa ruim, sem gosto, sem molho, sem nada!! "/ E pior, eu ainda paguei por isso! Quis morrer, morrer e morrer de arrependimento e raiva!), apaixonar pelo coleguinha da fila, tremer de frio, tremer mais um pouquinho e ainda escutar o nosso hino nacional tocado no violinino. Ah, que isso foi lindo mesmo! O velinho sentado no banco perto da gente escutou nosso português e louco por uma tips, como todo americano, tocou nosso hino no violino lindamente! Muito lindo mesmo! Dá vontade de escutar sempre, sabe? rs
Quando finalmente subimos no barco, a vontade de voltar foi instantânea, porque convenhamos: uma passeio de barco num frio sem igual não é muuuito bacana. Mas nem dava pra voltar atrás... Nada como um chocolate-quente pra fazer a gente feliz e aquecer! A ilha é bem fofa e vale muito a pena mesmo ir! Turista que é turista tem que ir na Estátua! rs A loja de lembrancinhas tem um boneco de tamanho real e que faz uma apresentação sobre a ilha. Uma delicinha de ver, porque ele mexe, fala, ri... Fatão que fiz vídeo! rs Turista meeesmo!
Saindo dalí a gente ainda parou no Museu da Imigração. Um ponto pouco explorado por sites e agentes de turimo, já que o lugar é lindo e fala muito da história do mundo, já que todo país tem em algum ponto de sua história, uma imigraçãozinha pro EUA. O lugar é lindo!
Depois de lá, comer, né? Subway nosso de cada dia pra fortalecer! ahahah E depois Times Square porque eu estava looouca pra ver as mil luzes do coração de NY! Tá, que chegando lá a gente pegou uma chuvinha chata! Deve ser difícil morar lá.. Neve, chuva, frio... Cadê o sol de NY, meu povo???? ahaha Mas deu pra apaixonar! Tem uma loja de brinquedos de três andares que tem uma roda gigante dentro! E tem váááárias cenas famosas do cinema feitas de lego, sabe? Como o King Kong no topo do Empire States e a própria senhora Estátua, toda posuda de Lego! A Times Square é linda, é grande, é cheia de gente, de turista, de luz... Já pode ficar aí eternamente? rs
Depois, hostel, né? Porque cansadas e na chuva não rola mais turistar... Cansa, meu povo! Cansa! ahahah
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sábado, 7 de maio de 2011
Revivendo a História
Em meados de 2009, meu professor Antônio Martinuzzo, conhecido por seus excelentes livros-reportagem, convidou minha turma para que fizéssemos um livro reportagem sobre grandes matérias veiculadas nos maiores jornais do Espírito Santo para o seu Projeto Coca - Comunicação Capixaba. Além da transcrição da matéria, deveríamos fazer uma investigação para apurar como se deu o processo de denúncia - investigação - publicação - repercursão. As dificuldades eram muitas, já que os jornais não abrem seus arquivos para pesquisa, alguns jornais já não existem há muito tempo e inúmeros jornalistas já estavam mortos, outros não trabalhavam mais na área e alguns moravam fora do país.
Superando aos poucos as dificuldades, virando noite transcrevendo matérias (a minha, por exemplo, deu 30 páginas de word!), entrevistas, pós entrevistas e encontrando fontes através de buscas no google, conseguimos fazer um trabalho bacana. Cada um tinha seu capítulo quase pronto quando esbarramos em uma aporrinhação: o jornais A Tribuna e A Gazeta queriam mesmo arrumar quizumba se reproduzíssimos as matérias por eles publicadas, ainda que não fosse mais deles o direito de publicação, que após 20 dias de veiculação passa a ser do autor.
O final da história? O livro não saiu. A sensação de trabalho perdido é triste, mas olhar pra trás e ver tudo que foi feito, o que você acabou por descobrir e as pessoas que conheci através dessa apuração/investigação me fazem ver que valeu a pena. E pra não ficar largado em uma pasta qualquer do meu computador, decidi colocar por aqui, pra que eu possa anor mais tarde ler: Revivendo Caso Argolas
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