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sábado, 4 de junho de 2011

Numa continuidade do dia de ontem...

Como protesto ao ato bárbaro e irresponsável do BME no dia de ontem, os estudantes se organizaram para sair em passeata hoje de novo, às 17h, em frente ao Teatro Universitário da Ufes. Hoje eu resolvi ir às ruas. Morrendo de medo, receosa de dar confusão e eu não conseguir me safar, de sobrar bala de borracha pra mim, de dar cadeia - mesmo que por algumas horas, mas fui. Eu, sempre tão apolítica, me senti tão revoltada e ofendida como cidadã com os abusos de ontem e com o apoio declarado do Governador Renato Casagrande à situação, que resolvi que o meu medo não iria reprimir o meu sentimento de revolta. A Alessandra, sempre fiel escudeira nessa vida, me acompanhou. O combinado era: a coisa ficou preta a gente foge! Cada um sabe dos seus limites... 

Chegando à Ufes encontramos pessoas queridas e uma multidão. Mais de 5 mil pessoas convencidas a fazer um protesto calmo, pacífico e sem transtornos para não perdermos a razão. Mas é difícil controlar a multidão. Quando o repórter d' A Gazeta tentava gravar um vt no local, ouviu-se um oníssono: AHÁ UHÚ, GAZETA MENTIROSA! Não teve uma pessoa que não gritou a frase de protesto. Foi tão intenso, que a equipe foi obrigada (obrigada, mesmo, no sentido de coagida) a se retirar do local. Infelizmente isso repercutirá negativamente e a quem olhava a distância, parecia insano. O protesto não visava agredir, ou ofender o jornalista, mas sim a rede de comunicação para qual ele trabalha. A reportagem que foi publicada no jornal A Gazeta na manhã de hoje relatava uma balburdia juvenil sem fundamento e que olhava para o próprio umbigo, causando apenas transtornos à população. Era visível a tentativa de jogar (mais) a população contra o protesto. O movimento não precisa de cobertura assim! O velho "se não ajuda, não atrapalha!". E sim, Voltaire disse que mesmo que não concorde com o que dizes, lutarei até a morte para defender o teu direito de dizê-lo. Que dissesse, mas não ali, na nossa cara e usando nossa imagem de fundo. Emissoras, como a TV Vitória - tão criticada pelos capixabas como um jornalismo despreparado e sensacionalista, que fizeram uma cobertura clara e o mais imparcial possível (mostrando pedrada de estudante, mas mostrando calavaria da PM), teve ajuda e apoio dos manifestantes para realizar seu trabalho. O jornalismo deveria se lembrar que não basta satisfazer o patrão. 

Saimos de lá em direção à Terceira Ponte. Tomamos as duas pistas da Fernando Ferrari por uns dez minutos, apenas pra mostrar que o que acontecia. Liberamos uma via e seguimos gritando. "Eu não acho, mas Casagrande acha que o povo precisa de bala de borracha" foi a primeira de muitas palavras de ordem. Os cartazes também protagonizaram bastante na passeata. Quando estávamos lá longe, pensando em subir a Ponte da Passagem, resolvi olhar pra frente e mal pude assimilar o que via: era um mar de gente! E ainda havia muito mais atrás de nós. Os que olhavam da calçada, dos prédios e carros foram convidados a seu unir ao movimento: VEM! VEM PRA LUTA, VEM. CONTRA O AUMENTO! E muitos foram aderindo a causa. Aos que preferiram não, avisávamos: VOCÊ QUE TÁ PARADO TAMBÉM É ROUBADO! Ônibus parado em ponto: PULA ROLETA!! PULA ROLETA!! E muitos pularam. 

A Terceira Ponte parecia não chegar nunca mais, eu juro! Eu e Alê, duas sedentárias convictas, nos arrastamos ao final do protesto. Nosso amigo Felipe, que foi caminhando com a gente - vai que desse merda? rs - era só o pique! Quando chegamos (eu, Alê e Felipe) lá as cancelas já estavam abertas. Uns dizem que foi a Rodosol, a empresa que cobra o pedágio, se adiantando aos manifestantes, outros que foram os manifestantes. Dane-se! Estavam abertas e pronto! Fizemos filas para deixar os carros passar. Eu, que já estava boquiaberta com o fato de estudantes, nunca levados a sério pela sociedade, conseguirem calar a grande mídia, vi uma das cenas mais lindas: 5 mil pessoas tomando a Praça do Pedágio e cantando o Hino Nacional. Essas mesmas 5 mil pessoas liberaram a passagem gratuita de inúmeros veículos pela Terceira Ponte. Aposto que pelo menos um motorista daqueles ontem reclamou do caos no trânsito e crucificou a manifestação. PODE PASSAR, QUE HOJE É DE GRAÇA!! O CASAGRANDE PAGA! Gritei até ficar rouca. 

O saldo foi positivo. Valeu a pena a caminhada infinita pra ver cada cena que vi hoje. Claro que tinha gente ali mais perdida que cego em tiroteio, gente que achou que era festa, gente desnecessária. Mas manifestação não é festa particular que se escolhe convidados. Ridículo gente manifestanto e tomando cerveja ou fumando maconha. Mas dentre os 5 mil, esses eram insignificantes e não se pode descaracterizar a luta por tal. Um manifesto pacífico, como vimos hoje é direito de todo e qualquer cidadão. Não importa sobre o quê se manifesta, ou se é contra ou a favor de alguma causa. É constitucional. 

E eu vou poder dizer, bem piegas, bem clichê e me submetendo ao julgamento alheio (olha lá, a alienada manifestando!) que eu vi o desrespeito humano e não me acomodei! FOI LINDO, VITÓRIA!






As fotos foram feitas pelo estudante de jornalismo da Ufes Yuri Barichivich - Facebook

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Era Só Mais Um Protesto...

Há pouco tempo eu comentei aqui o fato de presenciar a História acontecer. Hoje venho falar do meu medo de ver a História acontecer... Um protesto de estudantes reivindicando os preços abusivos das passagens de ônibus na Grande Vitória acabou em pancadaria, prisões, agressões e notícia em cadeia nacional. 

O protesto começou na manhã de hoje fechando uma avenida no Centro da cidade. Bem radical, verdade, atrapalhando a rotina de várias pessoas que precisavam circular pelo local. Mas a gente sabe que no nosso Brasil se não incomodar, a situação acomoda. Gente que reclamou de andar a pé, de ficar parado no trânsito dentro de ônibus, não vai ao menos se lembrar disso depois se o preço da passagem abaixar. A intenção era chamar, à força, as autoridades para uma rodada de negociações. As autoridades, representada pelo vice governador do Estado, Givaldo Vieira, do PT, enviaram o Batalhão de Missões Especiais - BME para reprimir a manifestação, que foi chamada de baderna por muita gente. Bala de borracha, spray de pimenta e bombas de efeito moral foram arremessadas nos manifestantes - e não em diração à. A intenção era clara. Cães e armas eram apontados com orgulho pelos policias, que dias após invadirem Aracruz e desalojarem inúmeras famílias e matarem uma senhora, pareciam estar prontos pra outra. 

Transeuntes foram atingidos, manifestantes agredidos e por fim a multidão se dispersou. Mas ideia era continuar na Avenida Fernando Ferrari, em frente a Universidade Federal. Fechada a pista, não demorou muito a polícia já estava a postos. Os estudantes, mais uma vez agredidos - e muitos presos, tentaram refúgio dentro da Ufes, que por ser um lugar de responsabilidade Federal, não permite entrada e ação da Polícia Militar. Mas esse pequeno "detalhe" não segurou os policiais de, pelo lado de fora da Ufes, jogarem bombas e atirarem para dentro da Universidade. O reitor em exercício, Reinaldo Cantoduccate, preocupado com a segurança no local - no  Teatro Universitária havia inúmeras crianças que participavam de um evento - tentou diálogo. Levou uma bala de borracha na bunda.  

O protesto seguiu para Terceira Ponte e os manifestantes tiveram a companhia agradável da ROTAN - Rondas Ostensivas Tático Motorizadas, que não tinha morro pra invadir e resolveu cercar a Praia do Canto, por onde o protesto também passou - e foi aplaudido por moradores. A cavalaria recebeu alguns protestantes perto casa do Governador, Renato Casagrande, que achou que ficar em Brasília era mesmo uma boa opção. 

Vinte sete pessoas foram presas: estudantes e até mesmo um jornalista (Henrique Alves, jornalista do Século Diário). Inúmeros foram feridos, inclusive jornalista d' A Tribuna. A cobertura televisiva foi previsível e até mesmo desnecessária, já que na internet post's, fotos, vídeos e depoimentos ofereciam um material vasto de informação sobre a barbarie. 

Autoridade nenhuma se manifestou sobre o acontecido. Qualquer notícia vinda do lado de lá, foi da assessora do Governador, Rita Paterlini, que pela sua página no twitter: https://twitter.com/ritapaterlini, ironizou a manifestação. Mas como assessor é ponte, não é fonte ( Salve, salve Martinuzzo!), a gente espera seu assessorado cair se manifestar. 

Muita coisa se viu, ouviu e leu nesse dia, mas de todas, a que mais me chamou a atenção foi a declaração do professor de filosofia Maurício Abdalla: 

"O vice-governador Givaldo Vieira foi meu amigo, militante e estava conosco quando paramos a cidade com mais de 10 mil pessoas contra o aumento das passagens em 1988. Hoje a PM, sob seu comando, agrediu violentamente uma manifestação igual, ferindo estudantes. Tenho orgulho de dizer que minha filha estava lá. E o meu ex-amigo, agora manda a polícia atacar minha filha que, graças a Deus, seguiu os meus passos e não o dele. Enquanto ele não se retratar e punir o comando da PM, estará na lista de meus inimigos."

Tempos difíceis, minha gente. Tempos difíceis... E VIVA A DITADURA, ops!! DEMOCRACIA!

sábado, 7 de maio de 2011

Revivendo a História

Em meados de 2009, meu professor Antônio Martinuzzo, conhecido por seus excelentes livros-reportagem, convidou minha turma para que fizéssemos um livro reportagem sobre grandes matérias veiculadas nos maiores jornais do Espírito Santo para o seu Projeto Coca - Comunicação Capixaba. Além da transcrição da matéria, deveríamos fazer uma investigação para apurar como se deu o processo de denúncia - investigação - publicação - repercursão. As dificuldades eram muitas, já que os jornais não abrem seus arquivos para pesquisa, alguns jornais já não existem há muito tempo e inúmeros jornalistas já estavam mortos, outros não trabalhavam mais na área e alguns moravam fora do país.

Superando aos poucos as dificuldades, virando noite transcrevendo matérias (a minha, por exemplo, deu 30 páginas de word!), entrevistas, pós entrevistas e encontrando fontes através de buscas no google, conseguimos fazer um trabalho bacana. Cada um tinha seu capítulo quase pronto quando esbarramos em uma aporrinhação: o jornais A Tribuna e A Gazeta queriam mesmo arrumar quizumba se reproduzíssimos as matérias por eles publicadas, ainda que não fosse mais deles o direito de publicação, que após 20 dias de veiculação passa a ser do autor.

O final da história? O livro não saiu. A sensação de trabalho perdido é triste, mas olhar pra trás e ver tudo que foi feito, o que você acabou por descobrir e as pessoas que conheci através dessa apuração/investigação me fazem ver que valeu a pena. E pra não ficar largado em uma pasta qualquer do meu computador, decidi colocar por aqui, pra que eu possa anor mais tarde ler: Revivendo Caso Argolas

domingo, 1 de maio de 2011

História com H maiúsculo!

É engraçado, curioso e fascinante isso de ver a História acontcer. Essa História com H maiúsculo, que os livros irão contar e as professoras ensinar em sala de aula. E essa semana foi cheia de fatos históricos, daqueles que seus netos vão ter que pesquisar algum dia em qualquer tecnologia modernosa da época.

Primeiro o Príncipe William, futuro Rei da Inglaterra (mas o moço ainda precisa esperar passar o reinado da avó Elizabeth e o do pai, Charles - que nunca nessa vida tem jeito de Rei), casou-se com uma plebéia rica, bem apessoada, de estilo, bonita e querida dos súditos. A História é cíclica, já dizia minha grande professora, Liliane. Engraçado ver a comoção que isso causou ao mundo, bom, pelo menos ao Brasil. Coberturas jornalísticas dedicadas a desvendar o mais íntimo do ser da futura Princesa, seus gostos, seu vestido de noiva, sua magreza... Em pleno século XXI um casamento com cara de século XVII ainda encanta multidões. Parece coisa de novela!

Prícipe casado, hora de fazer História de outro jeito: Papa Jõao Paulo II foi beatificado, para alegria de todos os fiéis, que desde sua morte pedem a beatificação do Papa mais popular, aberto ao diálogo e politicamente ativo da história da Igreja Católica.

E para fechar o domingão com chave de ouro, no finalzinho do segundo tempo, os Estados Unidos anunciam a morte do terrorista mais procurado da História, Osama Bin Laden. Depois de jogar, literalmente, dois aviões nas Torres Gêmeas, em Nova York, em 2001 e atentar contra o Pentágono, Osama comprou briga feia com a maior potência do mundo. O presidente da época, Bush, declarou guerra ao Afeganistão, com a desculpa esfarrapada de que por lá havia muitas armas nucleares. Entupiu o país e região de soldados americanos (que acabaram por causar barbaridades por lá), matou centenas de civis, desenvolveu problemas psicológicos em outras centenas de soldados e não deu em nada. Nem uma arminha se quer foi encontrada. Osama, nada bobo como era, se escondeu tão bem escondido que não se tinha qualquer pista dele. O cara aparecia quando queria, através de seus vídeos caseiros enviados para o canal de TV afegão, Al Jazeera. Saiu Bush, entrou Obama. Sairam também as tropas americanas do território afegão. Quase caímos no ostracismo e nem falávamos mais de Osama. E eis que ele me aparece morto. Aparecer, não apareceu, não. E sabe Deus se aparecerá. O que se sabe mesmo, é que Obama, que andava com a popularidade baixa entre os americanos, ganhou agora um bom motivo para angariar mais eleitores para a corrida presidencial daqui há 2 anos. Ao senhor Donald Trump, forte concorrente conservador do atual presidente pelo cargo, eu digo: se cuida, porque essa eleição não há de ser fácil! Mas isso é assunto pra outro momento histórico nessa vida!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Em tempos de guerra...

Que o Rio de Janeiro está um caos, a gente já sabe. Desde a semana passada a barbarie se instalou na cidade e não está fácil pra ninguém, não... E quando eu digo ninguém, é ninguém mesmo. Nem pra traficante, que tem que correr pro complexo do Alemão par fugir do Bope (menos conhecido como Batalhão de Operações Especiais); nem pro Bope que tem que ocupar morro, apreender armas, drogas e dar entrevista pra jornalista que quer saber o dia em que eles vão invadir; nem para os jornalistas, que não pensam em nada mais inteligente e pertinente do que "o Sr. acha o que o Alemão vai ser tomado ainda hoje?"; nem para os cariocas que vivenciam o caos e muito menos pro resto do país que assiste a tudo estarrecido e sem grandes perspectivas da verdade. 

A sorte da chamada 'grande mídia' é que a maioria da população é tão carente de estudo e está tão preocupada em por pão na mesa que não se dá conta das atrocidades que são oferecidas no jornalismo. Tratar a situação do Rio como algo que simplesmente estourou, é não assumir anos e anos de negligência com a situação em que a cidade se encontrava. Não é de hoje que o Rio é violento, perigoso e que polícia e tráfico se enfrentam. O que mudou foi a intensidade com que isso aconteceu em um curto período de tempo. Eis que do nada, de acordo com a mídia, surge uma guerra civil... 

A falta de educação, saúde, um governo competente e honesto e a falta de perspectivas de futuro costumam ter consequências. E quem até então achava não ter nada a ver com isso, se vê engolido pelo medo, pela falta de segurança e rodeado pelo crime, que ao contrário da polícia, é organizado. 

Os poucos milhares que conseguem produzir conteúdo - na internet, geralmente - e não ser meros telespectadores, ainda não têm força o suficiente para incomodar a grande mídia e fazer como que ela distorça menos e aprofunde e questione mais. Mas eu disse ainda...  

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Darín em La Nación

E quando a gente pensa que não há mais nada de novo para a comunicação impressa; enquanto jornais passam apenas a existir no campo do online (vide o Jornal do Brasil), enquanto jornalistas se sentem frustrados por fazer mais do mesmo, eis que há quem inove e mostre uma luz no fim do túnel pro velho e bom jornalão!

O argentino La Nación estreou essa semana mais uma sessão em seu diário: as entrevistas em quadrinhos. Pode parecer boba e infantil. Ou até mesmo inadequada para um jornal sério, mas não é. O estreante foi ninguém mais do que Ricardo Darín, ícone do cinema e do teatro argentino (e ladrão de corações femininos!). Liniers, desenhista de primeira, foi quem topou o desafio e entrevistou o ator. Depois, reproduziu a entrevista numa série gostosa de desenhos. Sem perder o foco no conteúdo, o que poderia ser apenas letras, ganhou forma diferente! O papo não podia ser outro... Cinema!

E vamos combinar, mil entre mil mulheres queriam estar no lugar do Liniers... #invejinhaboa

domingo, 4 de julho de 2010

Jornalismo Sério WHO?

Tem coisa nessa vida que é mesmo de uma graça. Tem coisa que não. E pior do que não ter graça, é o desrespeito, o deboche e falta de compromisso profissional que alguns ´profissionais` tratam certos assuntos. Usar piadinhas, como ´Argentina tomou de quatro`, apesar de rídiculo, clichê e sem nenhum espírito esportivo, é até aceitável pela velha rixa entre brasileiros e argentinos (tão inflamada pelos nossos compatriotas). Mas a matéria que o SporTV fez sobre o Paraguai foi tão absurda, tão ofensiva e irresponsável, que ninguém (paraguaios e brasileiros) deveriam aceitar tal ´reportagem` como um trabalho veiculável.

Ofenderam o país, a seleção e o povo paraguaio. Ofenderam a música local, a comida e o turismo. Até a Larissa Riquelme entrou na dança. Como se nunca na história desse país uma mulher tivesse ficado pelada por algum motivo - ou sem nenhum. Falaram como grandes conhecedores do país, e como se o Brasil fosse um exemplo sempre a ser seguido. E se fosse, ninguém - e eu disse NINGUÉM - tem o direito de ofender assim, ainda mais em rede nacional, alguém ou algo. Até proque, aquele não é um programa de opinião, e sim jornalístico. E que eu saiba, a função do jornalismo é noticiar fatos de relevância com a menor subjetividade possível. Já dizia o pesquisador da área, Felipe Pena.

O deboche norteou toda a narração. Imagens pejorativas do país, do povo, da seleção e das mulheres paraguaias foram usadas para cobrir um off (a voz da narração) desprezível. Não há como qualificar o trabalho se não por essas palavras. Tem muito veículo midiático nessa copa achando que é o Meia Hora (literalmente um tablóide carioca), né? Mas pra fazer isso tem que ter talento, meu caro! Não é qualquer um que sabe usar da ironia com primor...

Bate uma vergonha tão grande de estar prestes a entrar pra essa classe sem classe nenhuma! Sabe Deus de onde sairam profissionais assim... Mas me aterroriza saber que pessoas sem escrúpulos e sem bom senso nenhum são absorvidas pelo mercado. E agora José?

Ah, e claro, isso pode gerar processo por parte dos paraguaios. É difamação pura e simples. Já pensou uma nação toda processando a SporTV? Poderia ser o ´quero MTO` de hoje, né?

quarta-feira, 16 de junho de 2010

JN

A mamãe, que me conhece bem, diz que é ótimo me dar presente: qualquer coisa tá bom, tudo me satisfaz. O que importa é ganhar! rs E toda fofa, como ela só, me deu o livro Jornal Nacional: Modo de Fazer. Ela disse que já que estou estagiando na tv, eu preciso me inteirar do assunto... Certa ela! E eu, que não dispenso um livro, tratei de devorá-lo : )

A tarefa não foi difícil, afinal, eu sempre quis mesmo saber o que se passa por trás daquela bancada (será que eles presentam de bermuda mesmo? hahah brincadeirinhaaa!). Mas a verdade é que muita gente deve ter as mesmas curiosidades a respeito, seja jornalista, estudante de Comunicação ou telespectadores apenas. E foi muito prazerosa (e funcional) para uma quase-futura-jornalista que ainda está perdida. O autor, Sir William Bonner, conta histórias engraçadas, trágicas, curiosas e inusitadas. Fala do cotidiano, do atípico e inesperado. E apresenta pra gente muita gente que está por trás do jornal que o Brasil vê às 8:15 da noite...

A curiosidade de saber como funciona tudo tim-tim por tim-tim foi saciada. Bonner fala, em detalhes, da rotina do JN: quem chega primeiro, quem faz o quê, quem é subordinado a quem, as funções de cada um (porque é um tal de produtor isso, produtor aquilo... E no afinal a gente nem sabe a diferença!) , como a equipe se relaciona e comunica com as filiais, como os enviados especiais e os correspondentes internacionais trabalham e enviam material... Enfim, não se pode reclamar de falta de informação. Quem leu já sabe o que é uma cabeça, uma reunião de pauta, um espelho, retranca... Coisas do jargão jornalístico que nem a faculdade te ensina (espelho who??? Renata Rezende não explicou isso não, hein! rs)

Ainda que o jornal seja ao vivo, ou exatamente por sê-lo, o planejamento é primordial, ainda que às vezes, tenha que ser deixado de lado. Quando o Papa João Paulo II morreu, por exemplo, o material exibido em sua homenagem já estava pronto há mais de um ano, tempo em que sua saúde já preocupava a Igreja. Com o falecimento, foi preciso apenas atualizar o VT. Mas improvisos também acontecem, e precisam ser incorporados como um ente muito querido e bem vindo! Um exemplo é o fatídico 11 de Setembro de 2001. As torres gêmeas foram ao chão, e toda uma equipe foi mobilizada. Gente de lá, gente daqui... É preciso trabalhar em conjunto!

Uma boa parte do livro é dedicada às edições ancoradas fora do estúdio. Eleições americanas, eleições nacionais, copa, morte do Papa... Coisas assim, de grande porte, fazem Bonner ou Fátima Bernardes deixar o estúdio e improvisar um novo em qualquer lugar que seja: praça, ônibus, terraços...

Ouvi muito sobre "puxar sardinha" para o JN e para Globo. Ainda me choca gente que espera imparcialidade do jornalismo... Mas o que muitos chamam de "puxar sardinha", eu chamo de "simples - e talvez infeliz - realidade. A Globo hoje é, sim, a emissora mais estruturada na área: maior número de equipes espalhada pelo mundo, maior número de filiais, equipamentos e profissionais. É verdade, também, que a Rede Record e o SBT estão correndo atrás do "prejuízo": contrataram ex-globais, investiram em aparelhagem, espalharam jornalistas mundo a fora... Mas existe uma coisa que só o tempo muda: a cabeça e os costumes do brasileiro. Que o JN é o jornal que prende o Brasil de segunda aos sábados, às 20:15, isso ninguém pode negar. Seja por qualidade, confiança, ou comodidade do brasileiro, há 40 anos ele está aí, criticado, copiado, reformulado, boicotado, mas está!

Mas eu preciso confessar, talvez por escrever tanto e há tanto tempo para tv, Bonner quis se jogar no livro. E algumas frases que eram pra ser engraçadas, sairam pela culatra! Mas a gente, que o segue no twitter (@realwbonner), sabe que o "tio" - como gosta ser chamado por lá, tem um jeito brincalhão e pataquado. Talvez para tirar aquela imagem séria do jornal... Mas nada que atrapalhe a leitura, ou que a torne insuportável. E na minha humildade, ela é totalmente recomendável!

sexta-feira, 14 de maio de 2010

A TV por Tiago Leifert

Desde quinta-feira (13) acontece aqui em Vitória o Intercom Sudeste 2010 . Dezenas de oficinas, mini-cursos e quatro mesas-redondas depois, a gente (da organização e participantes) já viu e ouviu muita coisa. Boas e más. Mas tem sempre aquilo que te marca mais...

Uma das palestras mais esperadas era a do Tiago Leifert (@tiago_leifert), apresentador do Globo Esporte local de São Paulo. A espera se deu por vários motivos, incluisve porque os meninos amam futebol e as meninas amam o jeitinho dele. Mas a verdade mesmo é que ele tem muito a falar sobre inovação na tv. Apesar da pouca idade, Tiago já é história no telejornalismo brasileiro.

"Esporte não é jornalismo. É entreterimento!" foi uma das primeiras frases dele na palestra. Teve gente que se assustou, gente que discordou ou assinou embaixo. Aos poucos ele foi explicando seu ponto de vista: falar de esporte como se fala da bolsa de valores, de violência ou de política, não pode! Esporte é pra informar E pra divertir. No final, poucos discordavam da sua opinião. 

E com base nisso, ele explicou as mudanças que aos poucos introduziu no programa: sai o teleprompter (aquela telinha que passa o texto do apresentador), entra o improviso; cai a bancada, entra a 'liberdade'; adeus à seriedade, boas-vindas a comédia. E por aí vai... Aos poucos, a informalidade, o humor e a irreverência (e OUSADIA) ganharam o público, os diretores da emissora e até mesmo a audiência (que era sempre do Chaves! maseuamochaves). Hoje além de apresertar o programa, ele é editor, se aventura em reportagens inusitadas e divertidas e viaja pra dar palestras como essa! rs

As palavras mais usadas foram OUSADIA e INOVAÇÃO. Para ele, é disso que a tv precisa. A tv, que deve se antecipar ao desejo do público e pautá-lo (na opinião dele), está cada vez mais velha e precisa se reciclar URGENTEMENTE! E é exatamente isso que se espera de quem acaba de entrar no mercado. E não é o que vem acontecendo... E claro, interagir com as ferramentas sociais é fundamental. Afinal, competir com meios tão versáteis e multiusuais é difícil. O melhor a fazer é se aliar a eles, e usá-los a seu favor.

Boas mesmo foram as dicas que ele deu: se não souber a informação, crava! "Quantas pessoas cabem no Autódromo de Interlagos? Hãm... 40mil! Exatamente 40mil!!". E não, nunca, jamais, peça permissão. Faça e peça desculpas depois!

E não posso deixar de comentar que ele deixou muitos meu corações empedaços por aqui... E que o funk do Val Baiano BOMBOU!! 

quarta-feira, 7 de abril de 2010

E nesse 7 de Abril:

E no dia do jornalista, eu trago o melhor da liberdade de expressão, de imprensa e blá blá blá...



E para os que se meteram nessa merda toda, os que estão estudando pra tal e os já largaram de mão: PARABÉNS! =D Afinal não é todo dia que se comemora nossa sina! hahaha

brincadeirinha!